quinta-feira, 30 de julho de 2009

SOBRE O CARNAVAL


Nenhum espírito equilibrado e face do bom censo, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer apologia da loucura generalizada que adormece as coinsciências nas festas carnavalescas. É lamentável que a época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhes a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e seus objetivos sagrados da vida, se verifique em excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com os títulos de civilização.
Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidas pelos homens, lhe burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais, opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidade que só os longos aprendizados fazem desaparecer.
Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e às vezes toda uma existência não basta para realizar os reparos preciosos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.
É estranho que as administrações e elementos do governo colaborem para que intensifique a longa série de lastimáveis desvios dos espíritos fracos, cujo caráter ainda aguarda o toque miraculoso da dor para aprenderem as grandes verdades da vida.
Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidades e fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.
Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência social aos necessitadosde um pão e de um carinho. Ao lado dos mascarados da pseudo alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. Por que protelar essa ação das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem? Que os irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretenciosas opiniões, colaborando conosco, dentro de suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.
É incontestável que a sociedade pode, com seu livre arbítrio coletivo, exibir superfluidade e luxos nabalescos, mas enquanto houver um mendigoabandonado junto de eu fastigio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso em eloqüente atestado de sua miséria

enviada por amigosespiritas
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